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  • Pensar a Dois

O vício que pode ser uma fuga



Alguém já usou o celular para disfarçar algo? Para disfarçar uma presença indesejável? Ou por não querer interagir com o outro? Já pararam para observar isso? É um vício ou uma fuga?


O fato é que cada dia mais trocamos a companhia do outro pelas telas dos celulares. Mas seria essa troca proposital? Ou realmente é um vício maior que o controle sobre as nossas digitais e a vontade de ficar visualizando as notícias que rolam na nossa timeline?


A nossa falta de atenção para com o outro está absurdamente desenfreada. Não temos mais tempo para ouvir os outros. Preferimos ver e acompanhar as fofocas, desgraças e discórdias disponíveis nas redes sociais. É mais atrativo ver as notícias ruins. É mais atrativo saber coisas de pessoas “desconhecidas” do que conversar com aquele que está ao nosso lado.


Ok. Às vezes pode até ser que não tenhamos interesse em ouvir aquele que está ao nosso lado. O papo não está interessante. Não queremos participar. Mas e se estivéssemos do outro lado? Querendo ser ouvido e o outro não nos desse o mínimo de atenção. Desse a preferência pelo seu celular e sua timeline do facebook?

Complicado, não é?


Às vezes é melhor você dizer ao outro que não está interessado no assunto dele, do que fingir que não ouve e ficar com os olhos grudados na telinha do seu celular. Ou, como alternativa, disfarçadamente, respeitosamente, tentar mudar de assunto.


É, meu caro, em tempos de tecnologia, ouvir o outro se torna algo raro para nós, pobres seres mortais. Mas vale a reflexão se estamos fugindo do outro, de nós mesmos ou realmente esse vício danado é o que há de melhor para preencher esse nosso tempo “ocioso”. Afinal, temos tempo sobrando.

Só que não!


Nos colocar no lugar do outro pode ser uma boa forma de reflexão.


Outro dia, participando de um grupo de pais, enquanto meu filho participava da evangelização infantil, falávamos sobre a comunicação com os nossos filhos e entre nós, pais. Um pai mencionou uma dica do Marcos Mion, apresentador famoso e pai. Ele disse que quando a criança está usando o celular, e nós queremos falar com ele, que o mesmo deve parar imediatamente o que está fazendo no aparelho e nos olhar nos olhos para nos ouvir.


A minha reação foi imediata. Opa! Mas nós também temos que fazer o mesmo. Principalmente porque somos exemplos dos pequenos. Quantas vezes os nossos filhos nos chamam para algo, ou para nada, mas nos chamam, e pedimos para ele esperar enquanto fazemos algo ao celular? Hum?


Não é a mesma coisa? Não queremos para o outro o que não queremos para nós.


Eu mesmo já presenciei diversas vezes em família, e já devo ter feito e faço o mesmo, às vezes até sem perceber, pois, trocar o ouvir pelas telinhas, parece algo natural. Fazemos no piloto automático. Isso se não é uma fuga para não interagir. Pois se é, pare e reflita o motivo. É real? Por que não quero ouvir o outro? Faz sentido?


E se não é uma fuga, não sei se é pior ser um vício. O que seria esse vício? É possível mudar? Você se deixa “dominar” pelo mesmo? Por que?


São muitas as perguntas, mas acredito que o caminho é se perceber primeiro e entender o porque aquele aparelhinho minúsculo consegue ser maior do que a nossa capacidade de dar atenção ao outro.


Se você tem a consciência de que realmente não quer dar essa atenção. Ok? Apenas evite o outro, você não é obrigado a estar com ele.


Mas se é algo que você faz como impulso, o tempo todo, observe também, se perceba fazendo isso, entenda o porque e tente se colocar no lugar do outro.


#ficaadica


Priscylla Spencer

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