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  • Pensar a Dois

Você nunca irá encontrar a felicidade plena nem a solução definitiva dos problemas. E isso é ótimo

Atualizado: 7 de Fev de 2020


A constante procura pela felicidade, por um propósito maior que justifique nossa existência e pela solução de dilemas internos que nos afligem parece ser a grande tônica da humanidade nos dias atuais.


E isso é ótimo.


Todas essas buscas, originadas a partir de uma curiosidade natural, de um leve incômodo ou até de um profundo inconformismo, nos leva ao autoconhecimento, a um aprendizado mais holístico, que vai muito além do conteúdo pasteurizado e castrador que obtivemos nos meios de ensino tradicionais (família, escola, igreja, empresa).


Ao iniciarmos essa jornada em busca das respostas - que nem sempre são encontradas ou compreendidas - para perguntas que boa parte da humanidade não tem coragem de fazer, ganhamos musculatura espiritual, ampliamos nossa percepção do mundo fora da Matrix e de nossa relação com ele.


Passamos a entender melhor as leis do universo, sobre como tudo está interligado e que é possível sim ter uma vida com mais significado, relevância e qualidade apenas com uma mudança de mentalidade - ou de mindset, se você prefere palavras da moda.😉


Contudo, muitas pessoas embarcam nessa achando que, ao se tornarem mais espiritualizadas, praticando a generosidade, o deboísmo e o desapego, vão encontrar a felicidade plena, a cura definitiva de suas angústias e uma missão única que irá guiá-las por toda sua existência.


(Existem até gurus que ganham muito dinheiro vendendo essa ilusão, mas isso fica para um outro artigo).


Só que a felicidade absoluta, o propósito definitivo e a liquidação total de nossas dores não existem.


E isso também é ótimo. Mais do que ótimo: é extremamente necessário para nossa existência.


Se faz parte da essência humana a aprendizagem, adquirir novos conhecimentos e estar em constante evolução, como isso seria possível se, de uma hora para outra, encontrássemos de forma definitiva o que procuramos?


Se isso acontecesse, entraríamos em uma bolha de estagnação (não gosto do termo zona de conforto, pois conforto é uma coisa boa) e a tendência seria abrirmos mão de nosso processo de aperfeiçoamento, de correção (Tikun, segundo a Cabala).


Ao longo da vida, passamos várias vezes pelo ciclo lagarta-casulo-borboleta. É um looping incessante de transformações pelo qual todos temos que passar. Afinal, além da morte, a única certeza que temos é que o mundo muda o tempo todo, e de forma cada vez mais acelerada. Por isso, a felicidade não é perene, nossos propósitos se alteram e nossos desafios tornam-se mais complexos.


Isso nos mantém ativos, vivos, curiosos, famintos por conhecimento e indica que estamos no caminho certo, seja ele qual for.


Vejo que muitas pessoas recuam ou param em sua jornada de autoconhecimento quando se defrontam com um desafio maior do que se julgam aptas a enfrentar, uma dor inesperada, um contratempo que julgava superado. Como acreditavam que “estava tudo resolvido” agora que estavam em outra vibe, ficam se questionando se fizeram alguma coisa errada ou achando que foram enganadas.


O fato é que a vida é feita de altos e baixos, por isso as dores e problemas fazem parte dela, do nosso processo evolutivo. Elas nunca irão parar.


Por isso, tudo bem se neste momento você não estiver se sentido feliz, ou meio sem entender os rumos que você está dando para sua vida. Faz parte do processo de evolução. Estamos apenas seguindo o fluxo natural do universo, das coisas como devem ser, sem impor resistências desnecessárias.


Quanto mais conhecimento adquirimos, seja nos livros, vídeos, em cursos, workshops, rodas de conversas, imersões, mais avançamos em nossa jornada de aperfeiçoamento. Tudo é válido, tudo é proveitoso.


Mas não ache que basta fazer um final de semana de imersão em mindfulness que você irá mudar de vida, atingir o Nirvana ou virar um ser iluminado. Não vai. O autoconhecimento, a espiritualidade são um processo contínuo, conquistados aos poucos, de forma quase imperceptível, que exige dedicação, paciência e estudo.


Segundo a Cabala, nós somos Desejo, e se desejarmos a felicidade, iremos obtê-la. A questão é: você consegue compreender o que é e onde está a felicidade?


Existe uma concepção idealizada, uniformizada e equivocada do que é ser feliz.


Felicidade não é apenas o que você vê nos filmes e nas redes sociais (que eu chamo de “felicidade verniz”). Vai muito além disso. Ora, se cada um é responsável por seu estado de espírito, é impossível impor uma regra de como a pessoa deva exercer sua felicidade. Portanto, você é livre para criar sua própria felicidade.


Para mim o segredo está em curtir a jornada, não apenas a chegada.


Felicidade é apreciar intensamente cada momento, seja os de grandes dimensões (ganhar na megasena, impactar positivamente a vida de milhares ou milhões de pessoas) ou que acontecem de forma esporádica (o nascimento de um filho), sejam mesmos os mais triviais, como ajudar alguém a resolver um problema, tomar um café com pão quentinho na padaria, começar a ler um livro.


Pare de procurar a felicidade absoluta e a cura definitiva de suas dores e se dedique ao presente, ao aprendizado contido em cada momento (sejam “bons” ou “ruins”), a beleza que ele possui e como ele é rico em insights e oportunidades.


Em vez de ser um caçador, seja um agricultor de felicidade.


Denis Zanini Lima

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