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  • Pensar a Dois

Por que você desiste dos seus sonhos?

Atualizado: 16 de Out de 2019


Eu não sei quem foi o vencedor da última Maratona de Berlim.


Também ignoro quem chegou em primeiro na Maratona de Nova York.


O mesmo vale para quem ocupou o topo do pódio da Maratona de São Paulo.


Contudo, uma coisa sei sobre eles: todos começaram correndo distâncias curtas.


Garanto que nenhum conseguiu correr 42 km no primeiro dia de treino.


Acredito que eles devam ter começado com um percurso pequeno, talvez cinco quilômetros.


Depois oito, passando para 12, 15, 21 (a meia maratona), 25, 28, 34, 39 até chegar aos sonhados 42 km.


Foram meses (ou quem sabe anos) de treinamentos diários para completar a distância. E depois mais um longo período para ir baixando o tempo.


Isso só foi possível porque eles seguiram o segredo dos campeões: assumir microcompromissos visando um objetivo maior, realizando seus sonhos.


Ou seja: correr um pouco todos os dias, acrescentando sempre alguns metros, até chegar à tão sonhada meta.


O bom é que microcompromissos não servem apenas para atletas.


Eles podem ser usados por qualquer pessoa em qualquer projeto: dietas, viagens, relacionamentos, negócios, carreira, estudos, investimentos.


Microcompromisso consiste em fracionar o seu objetivo em pequenas porções diárias, e cumpri-la rigorosamente. Assim, a chance de êxito é maior, pois seu objetivo “diminui”, fica mais próximo, mais tangível.


Mas um detalhe importante: não vale pular um dia sequer, tem que haver constância, seriedade e aplicação. Você tem que ser fiel ao seu microcompromisso.


O que eu observo é que a maioria das pessoas desiste de seus sonhos (independemente do tamanho) pois foca no objetivo final, que está muito distante. Quando se dão conta que “falta muito”, acabam ficando desestimuladas.


Elas acabam desistindo dos seus sonhos por não terem estabelecidos microcompromissos exequíveis.


Por exemplo, se você quer perder 20 quilos e fica obcecado com esta meta, existe uma grande possibilidade de você desanimar quando, após uma semana de dieta, subir na balança e perceber que perdeu apenas 1 quilo e que ainda faltam 19.


Em contrapartida, se você assume o compromisso de perder 1 quilo (talvez até menos) por semana, garanto que você ficará muito mais motivado ao subir na balança e descobrir que cumpriu seu microcompromisso.


Meio que sem perceber, quem sabe você não perde os 20 quilos antes mesmo do que imagina?


Agora vou compartilhar com vocês meu caso.


Há cerca de um ano assumi o compromisso de escrever meu primeiro livro de não-ficção, um sonho que vinha procrastinando desde a adolescência.


Como escrevo profissionalmente há mais de 20 anos, achava, presunçosamente, que mais cedo ou tarde, o livro acabaria saindo, meio que por osmose, ou que um dia eu acordaria, sentaria em frente ao computador e escreveria um romance de 800 páginas em uma tacada só.


Só que, obviamente, até os 46 anos, o milagre não havia acontecido.


Então para tirar o livro do papel, ou melhor, colocá-lo no papel, assumi o seguinte microcompromisso: escrever 100 palavras por dia.


Sem uma ideia mirabolante ou um tema principal, comecei a escrever aleatoriamente, sem preocupações com roteiro ou estilo linguístico.


Foi uma produção não linear, meio anárquica, na qual o importante era escrever as tais de 100 palavras por dia e, depois, ir buscando nexo, concatenações de ideias, para compor uma história.


Logicamente, houve dias que, com ajuda das ninfas inspiradoras, escrevi páginas e mais páginas. Em outros, mal consegui cumprir as 100 palavras (e no dia seguinte acabava jogando tudo fora, devido à baixa qualidade).


Mas não sucumbi nenhum dia.


Houve vezes que, no meio da noite, me dava conta que não havia cumprido meu microcompromisso diário. Mesmo cansado, acordava, ligava o computador e escrevia.


Aos poucos, depois de meses escrevendo, fui percebendo que as histórias começaram a ganhar forma, a fazerem sentido dentro de um contexto onírico, entrando na esfera do realismo mágico.


Após perceber que havia um fio condutor unindo o enredo, a redação fluiu com mais ligeireza.


Até que depois de alguns meses o livro ficou pronto.


Revisa dali, corta acolá, e agora o original encontra-se na editora para diagramação.

Em breve, “O Carteiro do Universo: O Livro das Cartas Não Enviadas” deixará de ser um micro para se tornar um macrocompromisso, assumido e finalizado.


O sonho se tornando realidade.


Portanto, fica aqui minha sugestão, principalmente para você que tem um sonho na gaveta, juntando pó: assuma um microcompromisso possível de ser realizado diariamente e mãos à obra!


Não há sonho que não possa ser conquistado com pelo menos passo por dia.


Denis Zanini Lima



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