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  • Pensar a Dois

Os verdadeiros avatares: ELAS



Penso o quanto nós, mulheres, evoluímos até aqui. Uma trajetória de muitos desafios. Saímos do estado de dependência e submissão para grandes líderes e executivas com mentes brilhantes. E pensar que há pouco tempo não tínhamos o direito do trabalho e de praticar as nossas próprias crenças. Que éramos queimadas simplesmente por seguirmos outras crenças, diferentes daquela da igreja. Que hoje somos livres para escolher se queremos procriar ou não. Mesmo debaixo das críticas temos o poder de escolha. Claro! Essa afirmação ainda não tem poder global.


Parece que chegamos a um ponto que podemos olhar para trás e dizer: cacete! Evoluímos muito! Mas ainda temos muito que caminhar para conseguir uma “simples” igualdade salarial quando ocupamos o mesmo cargo que um homem ou lutar contra dogmas, religiões e crenças que ainda consideram a mulher um ser submisso.


Somos seres capazes de dar à luz a outro ser. Temos a capacidade de doar-nos inteiramente ao outro. Deveríamos ser consideradas deusas! Submissão para um ser que pode ser várias ao mesmo tempo? Que ironia!


Fomos ousadas e encaramos os riscos sem medos, ou com medos mesmo, mas fomos em frente. Entramos no mundo do trabalho na década de 1940, quando nossos maridos saíram para a Guerra e nos vimos sem o pão de cada dia. Precisávamos trazer o pão para nossos filhos, pois não se saberia quando esses maridos voltariam e se voltariam. Ali começava uma grande trajetória feminina em busca da sua liberdade do ser. Talvez não imaginavam que chegariam tão longe e que hoje, em pleno século 21, ainda teríamos muito a conquistar.


E na década dos anos 1960 começaria a verdadeira evolução feminina, quando começamos a lutar pela igualdade dos direitos. A caminhada seria e é longa. Muitas conquistas foram reveladas. Mulheres incríveis com papéis importantíssimos em nossa sociedade se revelaram.


Mas ainda hoje, século 21, após todas essas conquistas, continuamos sendo violentadas. Um levantamento feito pelo G1, considerando os dados oficiais dos estados relativos a 2017, apontam o crescimento de mulheres vítimas de homicídio no Brasil. São 4.473 homicídios dolosos em 2017, um aumento de 6,5% em relação a 2016. Isso quer dizer que uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil. E, ainda, a falta de padronização e de registros atrapalham o monitoramento dos feminicídios. De 4.473 homicídios, 946 são considerados feminicídios, dado considerado subnotificado.


Dados do Forum Brasileiro de segurança pública de 2018, publicados em agosto de 2018 pela Folha de São Paulo, mostram que o Brasil registrou 606 casos de violência doméstica e uma média de 164 estupros por dia em 2017. Dados também subnotificado, pois estimam-se que menos de 10% dos estupros sejam notificados à polícia. Sendo assim, o total de casos desse tipo pode passar de 500 mil por ano.

Difícil engolir esses dados, não é?


Elas são o sexo frágil?


Me perdoem, mas acho que essa “classificação” é de extrema insensatez e ignorância. Somos frágeis sim, pois somos seres humanos, frágeis como os homens, como todos que possuem sentimentos. Somos frágeis por que choramos e expomos os nossos sentimentos quando sentimos alguma dor? Quantas dores essas mulheres sentiram e sentem? E pior! Aguentam caladas!


Mulheres que possuem em seu ventre um grande centro de energia. Úteros geradores de amor. Possuem um auto processo de “limpeza” mensal. Não sabiam? A menstruação nos proporciona isso, uma transformação a cada 28 ou 30 dias maios ou menos.


Somos como a Lua, temos 4 fases em apenas um mês. Vejam que maravilhoso é isso. Tensão pré-menstrual, menstruação, fase ovulatória e período fértil. “Mulher de fases”. Eu falo mais sobre o poder do sagrado feminino, em outro texto (http://bit.ly/poder_feminino). Vale apena ler!


Por que ainda sofrem tamanha violência, verbal, emocional, preconceituosa e física, muitas vezes com mortes? Por que não somos parceiros, mulheres e homens? Não é junto que geramos vidas, muitas vezes, com amor verdadeiro. Juntos não somos mais fortes?


Ok. Sei que estamos aqui para evoluirmos, mas sei lá, às vezes a carga é muito pesada. Admiro aquelas que aguentam os fardos dessa vida com luta e perseverança de um futuro melhor para elas e principalmente para seus descendentes. Aliás, pode ser isso que as move, que nos move, as crias. Viramos verdadeiras leoas para defender e dar o melhor para os nossos filhos e família.


O amor é que nos move e nos faz lutar por um mundo mais digno e com igualdade de gêneros. Que continuemos a lutar, com coragem e perseverança para um dia conseguirmos chegar lá. A caminhada é longa, mas novamente, olhemos para trás e agradecemos a tudo que já foi conquistado. Estamos juntas! E juntos, com aqueles que são os nossos parceiros também. Aqueles que realmente são companheiros e nos ajudam nesta caminhada, pois essa luta não é só nossa. Eles também ganham e ganharão com as nossas conquistas.


Somos todos um e estamos no mesmo barco.


Não sou contra os homens, pois tive e tenho o privilégio de conhecer e conviver com grandes homens, mas sou a favor das mulheres. Sou a favor de estarmos juntos, mulheres e homens, na busca e luta por um mundo mais justo para todos.


Se o barco afundar, morremos todos afogados. Vamos remar juntos então?

E para finalizar, eu gostaria de mencionar o projeto grandioso Justiça de Saia por Gabriela Manssur, que trabalha em várias frentes com o lema: toda mulher merece ser respeitada pelas suas escolhas.

Para saber mais sobre os projetos, visitem o site: www.justicadesaia.com.br


Obrigada.

Priscylla Spencer

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