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  • Pensar a Dois

O que há em comum nos países onde a pandemia está mais controlada?

Artigo de: Priscylla Spencêr


Por que os governos liderados por mulheres viraram exemplos no controle do coronavírus?

O cuidado da liderança feminina tem se sobressaído ainda mais neste período crítico no qual vivemos. Nunca se fez tão necessárias características tradicionalmente femininas no comportamento e ações das lideranças.

Isto porquê o mundo precisa do cuidado ‘materno’.

Islândia, Taiwan, Alemanha, Nova Zelândia, Finlândia e Dinamarca são países que tem revelado suas grandes líderes ao mundo. Elas tem mostrado os valores dos verdadeiros líderes humanizados.

Generosidade, cuidado, amor, empatia, humildade estão entres os valores que todas elas têm em comum. Características tradicionalmente femininas, que, quando equilibradas com as masculinas, como foco, clareza, força, mostram o equilíbrio da liderança com profundidade exercida por essas líderes e a assertividade de suas decisões.

É o que chamamos de liderança shakti.

Na Alemanha de Angela Merkel, os testes começaram desde cedo. A Alemanha saltou sobre as fases de negação, raiva e falsidade que vimos em outros lugares. Os números do país estão muito abaixo de seus vizinhos europeus e há sinais de que eles poderão começar a afrouxar as restrições em breve.

Já a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, ao primeiro sinal da nova doença, em janeiro, introduziu 124 medidas para bloquear a disseminação, sem ter de recorrer às quarentenas que se tornaram comuns em outros lugares. Agora, ela está enviando 10 milhões de máscaras para os EUA e para Europa. 

Clareza e determinação estão salvando a Nova Zelândia presidida por Jacinda Ardern da tempestade. Até meados de abril, eles sofreram apenas quatro mortes e, enquanto outros países falam em suspender as restrições, Ardern está aumentando, fazendo com que todos os neozelandeses que estão retornando ao país fiquem em quarentena em locais designados por 14 dias.

A Islândia, sob a liderança da primeira-ministra Katrín Jakobsdóttir, está oferecendo testes gratuitos de coronavírus a todos os seus cidadãos e se tornará objeto de estudo para saber as verdadeiras taxas de disseminação e mortalidade da Covid-19.

Por sua vez, Sanna Marin, a mais jovem chefe de estado do mundo usou os influenciadores digitais da Finlândia como agentes-chave na luta contra a crise do coronavírus.

Já a primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, realizou uma conferência de imprensa em que nenhum adulto era permitido. Ela respondeu às perguntas de crianças de todo o país, explicando por que não havia problema em sentir medo.

A autenticidade e a clareza da ideia nos deixam sem fôlego. Quantas outras ideias inovadoras simples e humanas desencadeariam de mais lideranças femininas?

A empatia e o cuidado que todas essas líderes femininas comunicam parecem vir de um universo alternativo ao que estamos acostumados. O cuidado ‘materno’ que esticam seus braços até ‘seus filhos’ de forma sincera e amorosa.

Mais do que nunca, essas líderes mostram que os sentimentos são a chave de uma liderança humanizada. Demonstrá-los não é sinal de fraqueza, pelo contrário, é uma fortaleza sendo transmitida a todos os que estão ‘dependendo’ de suas decisões. São vidas sendo acolhidas e acalentadas pelo poder de uma chefe de estado.

Não dá mais para desvalorizar as qualidades e perspectivas tradicionalmente consideradas femininas, como o cuidado, a criatividade, generosidade, empatia e o amor. Essas líderes estão constatando isso. Em tempos de crise, como a que se fez invadida o nosso planeta, o valor humano é o que deve prevalecer sobre todas as coisas. O valor da vida é o que importa!

Apenas para finalizar, essas características, tradicionalmente consideradas femininas, estão presentes em todos os seres humanos, independentemente de gênero. O que falta em boa parte dos líderes homens é o acesso a elas e o equilíbrio entre as duas forças, femininas e masculinas, para liderar de forma mais humana, assertiva e sustentável.

Priscylla Spencêr

Especialista em Facilitar Transformações, entusiasta nos assuntos sobre a relação humana e autoconhecimento e especialista em mapear processos e sentimentos.

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